Silvinha faz do cuidado sua maior missão
Aos 61 anos, colaboradora transforma desafios em força para se dedicar ao trabalho e a família
Publicado em 06/05/2026 13:25 - Atualizado em 06/05/2026 13:34
A rotina de Maria Silva de Oliveira, carinhosamente chamada de Silvinha, começa cedo e raramente termina quando o expediente acaba. Aos 61 anos, ela divide seus dias entre o trabalho na portaria da Gerência Regional de Saúde de Unaí e uma missão ainda maior: cuidar da família e especialmente dos netos que enfrentam uma condição de saúde rara.
Colaboradora da MGS há três anos, Silvinha iniciou sua trajetória cobrindo férias na área de limpeza em uma delegacia. Com dedicação e vontade de crescer, passou também pela função de secretária e, posteriormente, conquistou sua vaga de porteira por meio de processo seletivo público simplificado na MGS.
Mas o que mais chama atenção não é apenas sua disposição para o trabalho e sim a forma como ela encara a vida. “Posso estar com o coração chorando, mas recebo todos sorrindo, com amor”, conta.
A fala resume bem o que Silvinha vive diariamente. Após perder a mãe, enfrentou mais um golpe: o diagnóstico da doença de um dos netos. Hoje, um deles demanda cuidados constantes. Mesmo morando a cerca de 40 minutos da casa da filha, trajeto que por muitas vezes faz de bicicleta, ela mantém uma rotina intensa de apoio à família.
Privilégio de cuidar
Durante a semana, Silvinha liga todos os dias no horário de almoço para a família e, quando necessário, ao fim do expediente, segue direto para ajudar nos cuidados com as crianças. Aos finais de semana e feriados, permanece ao lado da filha e dos netos de sexta a segunda-feira. Em um dos momentos mais difíceis, passou semanas em um hospital em Brasília, acompanhando um dos netos na UTI. “É cansativo, mas é gratificante. É um privilégio poder cuidar”, afirma.
A mesma dedicação que demonstra em casa se reflete no ambiente de trabalho. Silvinha acredita que, independentemente das dificuldades pessoais, é preciso fazer o melhor, sempre com carinho e respeito. “Eu já passei por muita luta, até fome. Quando surgiu a oportunidade de trabalhar, agarrei com toda força. Hoje, faço tudo com amor”, diz.
Após 17 anos fora do mercado de trabalho, ela encontrou na MGS não apenas uma oportunidade profissional, mas um propósito. “Sou apaixonada por essa regional da saúde. Sou apaixonada pelo meu trabalho”, garante.
De acordo com a Dirigente Regional de Saúde de Unaí, Juliana R. Luiz, a porteira da MGS é uma profissional exemplar: proativa, educada e dedicada. “Ao mesmo tempo, é delicada no trato com todos, desde os usuários até os colegas de trabalho. Carrega o mundo nas costas, mas não perde a alegria de viver. Como já dizia Guimarães Rosa: ‘O que a vida quer da gente é coragem’. E disso, ela tem de sobra”, garante.
Entre jornadas longas, desafios pessoais e momentos de dor, Silvinha escolheu um caminho: o da leveza, da gratidão e do cuidado com o outro.
por Nathalia Bittencourt